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As Origens da Globalização

O fenômeno da globalização é pensado como produto de nosso tempo. Este acontecimento se relaciona, na ideia de muitos, como resultado do mundo que surgiu depois da Queda do Muro de Berlim e o fim da Guerra Fria, das animosidades entre capitalismo e socialismo, do embate entre os Estados Unidos e a finada União Soviética. Será mesmo?

Há certamente, correntes discordantes (entre os quais me incluo), que procuram perceber tal fato, logicamente diferenciado do movimento atual por características e circunstâncias técnicas e contextuais, como tendo surgido em diferentes períodos da história. A mais corrente defesa entre estes grupos relaciona-se a ideia da expansão marítima européia dos séculos XV e XVI, que levou os europeus à Índia e ao Oriente pela rota africana e os trouxe às Américas.

Prefiro olhar mais para trás no tempo e no espaço e vislumbrar na Antiguidade Clássica, com os gregos em duas fases de sua história, com a Magna Grécia se constituindo com o surgimento de cidades fundadas por gregos em diferentes partes dos continentes europeu, africano e asiático e, posteriormente com o período de expansão comandado por Alexandre Magno, que levou a cultura helênica até a Índia, passando por todo o Oriente Médio a incorporar/agregar parte de suas riquezas culturais e materiais.

No caso de Roma, sua expansão territorial notável, durante o Império, levou as fronteiras dos césares aos extremos da Europa, da Inglaterra ao norte da África, de Portugal à Germânia, entrando e dominando também as terras do Oriente Médio. Impuseram sua cultura e fizeram prevalecer suas práticas e valores, mas também incorporaram produtos, ideias, hábitos e fragmentos da cultura de seus oponentes. Talvez nem esses, pensem alguns, jogando um pouco mais para trás, com egípcios, persas, fenícios ou babilônios, por exemplo. Ainda prefiro dar o crédito para gregos e romanos.

De qualquer modo, o que podemos constatar é que a globalização é anterior ao momento atual e, mesmo em períodos da história desconsiderados como contextos nos quais tal fato poderia estar acontecendo há personagens e fatos que parecem contrariar esta linha de pensamento. Pensemos na Idade Média, chamada por alguns historiadores de Idade das Trevas, os mil anos de dormência nos quais mergulhou a Europa. Pois é neste contexto que ocorrem as Cruzadas, surgem os Renascimentos Comercial e Urbano, criando as bases para a Modernidade.

Durante a Idade Média, personagens como Marco Polo, o aventureiro veneziano que saiu da Itália e tomou o rumo do Oriente, recriando a imagem das cidades com telhados de ouro que existiriam na Índia, China e Japão, e o italiano, Tomás de Aquino, que estudou teologia na Universidade de Colônia (Alemanha) e filosofia na Universidade de Paris, onde se tornou professor nas duas cadeiras, seriam ou não exemplos destes homens globalizados que superaram fronteiras e conheceram o mundo?

É fato, também, que a dinamização da economia ocorrida a partir do advento do industrialismo, nos séculos XVIII e XIX, proporcionou o surgimento de uma nova ordem mundial, na qual as inovações nas áreas de transporte e comunicação, ano após ano, década após década, construíram uma realidade na qual os homens cada vez mais podem e conseguem estar em diferentes lugares, seja por obra da telefonia, da internet ou de aviões, trens e automóveis, deslocando-se continuamente, de forma presencial ou à distância, a outros universos, diferentes daqueles de sua origem.

De qualquer modo, a globalização, como a concebemos e entendemos nos dias de hoje, ainda que suas origens históricas possam ser discutidas, é fenômeno diferenciado dos demais períodos e eventos mencionados por conta das possibilidades da tecnologia, dos interesses em discussão e do mercado, ávido por novos negócios.

Nesse contexto, os peões que são movimentados no tabuleiro da globalização, estão vivendo dentro de um contexto em que o ser humano parece ter se multiplicado para que todas as finalidades e objetivos aos quais está relacionado sejam atingidos. Seja, neste sentido, o preço qual for, o importante é que o mundo ficou plano, as distâncias praticamente desapareceram, os homens viraram (definitivamente) caixeiros-viajantes e, por fim, parece ter se tornado secundário se comparado aos interesses que movem, na velocidade da luz, os negócios a serem fechados (mas isso é assunto para outras linhas).

Por João Luís de Almeida Machado no blog www.vithais.com.br