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Liderança e Humildade

Adam Smith é conhecido por ser o autor do livro A Riqueza das Nações, que foi a primeira obra séria sobre economia. O que poucos sabem é que Smith não era economista, e sim filósofo social, e que seu livro mais importante não é o A Riqueza, dedicado à economia, mas outro, cujo foco é a essência do ser humano, chamado Teoria dos Sentimentos Morais.

O filósofo escocês, que viveu no século 18 e foi um dos melhores representantes do iluminismo escocês, primeiro se aprofunda nas características do ser humano para depois justificar seu progresso social. Na Teoria, por exemplo, ele diz que o caráter das pessoas é fundamental para a construção de uma sociedade próspera. Explica que há, dentro do ser humano, um instinto de autopreservação que o faz comportar-se de maneira egoísta, mas que ele desenvolve bases morais que permitirão que cada pessoa cuide do coletivo ao cuidar de si mesma.

Líderes admiráveis vivem em função do grupo

Por isso, líderes admiráveis não demonstram ter agenda pessoal, pois vivem em função dos objetivos que pertencem ao conjunto. A principal marca desse líder é a humildade.

Ser humilde significa aceitar seus limites, respeitar as diferenças, reconhecer os méritos do outro e, acima de tudo, ter a consciência do quanto ainda tem para aprender. A humildade do líder se manifesta, ainda, por uma de suas marcas mais fortes: a disponibilidade.

Quer dizer que é o líder que está à disposição da equipe, e não o contrário, o que aumenta significativamente o comprometimento de todos. Visto por esse ângulo, liderar é um ato de humildade.

Adam Smith insistia que os sistemas políticos e econômicos só são sustentáveis se tiverem alicerces morais, e dizia que toda transação comercial tem o desafio de ser benéfica para ambas as partes. Relações humanas de qualquer natureza não se sustentam se construídas em pântanos de arrogância e menosprezo, mas crescem e duram quando edificadas no terreno sólido da humildade e da humanidade. A história dos governos, nações e empresas continua dando razão ao velho escocês.

Por Eugênio Mussak