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O Paradoxo da Escolha

http://splinedoctors.com/blog/wp-content/uploads/2009/02/choose1.jpgQuando menos é mais.

É consenso considerar que a felicidade só pode existir onde há liberdade de escolha.

É senso comum considerar que quanto maior a liberdade de escolha, maior o bem estar do ser humano.

Mas, será que, nesse caso, o senso comum estaria correto?

Para o psicólogo Barry Schwartz, PHD pela Universidade da Pensilvânia, a resposta categórica é não.

Em seu livro, “O Paradoxo da Escolha”, Schwartz nos mostra como o crescimento assustador do universo de escolhas, em quase todas as esferas da vida: educação, carreira, amizade, sexo, relações amorosas, criação dos filhos, práticas religiosas e o consumo em geral, tornou-se, paradoxalmente, um problema e não uma solução.

Segundo ele, esse excesso de escolhas não produz liberdade, produz paralisia. O motivo: esse excesso aumenta o nosso medo de “escolher errado”.

Além do medo natural de fazer as escolhas erradas, à medida que temos mais e melhores opções, aumentamos as nossas expectativas sobre o que é realmente bom.Assim, mesmo quando conseguimos escolher, em meio a tantas opções, ficamos menos satisfeitos com o resultado, afinal fica cada vez mais difícil fazer a escolha perfeita. Ou seja, aquela que não cause arrependimento.

Outro ponto muito interessante do livro é aquilo que ele chama de problemas na autonomia das escolhas. Um bom exemplo desse conceito é o angustiante diálogo travado entre pacientes e médicos modernos: Você vai ao médico e ele não te diz o que fazer.

Ele diz: “Podemos escolher seguir o tratamento A ou seguir o tratamento B. A tem esses benefícios e esses riscos. B tem esses benefícios e esses riscos. O que você prefere”?

Naturalmente você pergunta: “mas, doutor, na sua opinião, o que é melhor eu fazer”?

Então, o médico te olha e diz: “podemos fazer tanto A quanto B. A tem esses benefícios e esses riscos. B tem esses benefícios e esses riscos”.

Você insiste: “Mas Doutor, se o senhor estivesse no meu lugar, o que faria”?

Polidamente ele responde algo que no fundo significa “Mas, eu não sou você e esta escolha só pode ser sua”.

O que alguns chamam de autonomia pode ser também chamado de transferência de responsabilidade, afinal, diante de tantos caminhos a seguir, ninguém quer se responsabilizar pela decisão tomada.

Assim, em nosso dia a dia percebemos que, ao mesmo tempo que a tecnologia evoluiu para termos mais recursos e opções, também aumentou o nosso medo de fazer a escolha errada.

O diagnóstico do autor do livro: Quanto mais opções de escolhas temos, mais altas se tornam as nossas expectativas. E, quanto maiores se tornam as nossas expectativas, maiores as nossas chances de frustração.

Assim, brinca ele, o segredo da felicidade talvez seja ter expectativas mais baixas.

Ou não. Depende da escolha de cada um.

Um carinhoso abraço,

Flávio Lettieri