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O propósito da Liderança

Como os verdadeiros Coachs desenvolvem times de alta performance

Até hoje, trinta anos depois, quando fecho os olhos consigo me lembrar daquela final de campeonato e daqueles dois gols que eu marquei.

Eu era apenas mais um garoto, como tantos outros, apaixonado por futebol, participando de um campeonato amador.

Tínhamos entre quinze e dezesseis anos e, naquela competição, com jovens que tinham até vinte e dois anos, estávamos longe de sermos apontados como favoritos.

Além disso, em nosso time havia bons jogadores, mas nenhum grande talento que poderia, num futuro, tornar-se um craque de sucesso pelos mundos da bola.

Assim, chegar àquela final e, especialmente, ganhá-la, era algo completamente impensado por nós.

Mas, estávamos lá e, com uma vitória de dois a um sobre um time de rapazes bem maiores, mais velhos e mais fortes do que a gente, fomos campeões.

Além da alegria do momento, posso dizer que aquela foi uma experiência marcante para o resto da minha vida. Não pela vitória em si, mas pelo seu significado em minha história e na história daqueles outros sete jovens.

Aos quinze anos, descobri que eu podia vencer e passei a acreditar que um time unido em torno de um propósito comum pode alcançar feitos extraordinários.

Enquanto comemorávamos, pude ver o sorriso discreto do grande herói daquela conquista, o nosso professor.

O Luiz Carlos não era exatamente um técnico de futebol. Até ouso dizer que ele nem era muito bom com as táticas e as estratégias de jogo. Entretanto, por outro lado, era um verdadeiro Coach, no sentido mais amplo da palavra.

Os nossos treinos não eram apenas momentos para treinar ou jogar bola. Eram verdadeiras oportunidades de crescimento humano.

Posso dizer que éramos motivados pela bola, mas, com certeza, o que mais nos atraia para as aulas de futebol, eram aqueles momentos depois do treino que ficávamos conversando com o Luiz sobre a vida, sobre a espiritualidade, sobre a filosofia e sobre o sentido de nossa existência.

Assim como Sócrates, ele gostava de nos fazer perguntas provocativas, despertando curiosidades sobre coisas que nunca tínhamos pensado.

Naquele jovem professor formado em filosofia víamos muito mais do que um técnico de futebol. Tínhamos nele um mestre que verdadeiramente se importava com a formação de cada um de nós.

Com isso, aprendemos a dar valor a nós mesmos, enquanto indivíduos e enquanto grupo.

No time, todos tinham as mesmas chances de participação nos treinos, mas, na hora da escalação, jogava quem estivesse melhor no momento. Não havia favoritismo ou proteção a qualquer um dos jovens jogadores. Sabíamos o que era preciso para ser titular e, com isso, estávamos sempre nos superando.

Hoje entendo que ganhar aquele campeonato não foi uma questão de sorte. Afinal, ainda que não fossemos os melhores individualmente, nós tínhamos em nosso banco o melhor líder e ele foi capaz de formar o melhor time.

Podíamos não ser grandes craques, mas estávamos sempre confiantes, pois aprendemos com o nosso “Coach” que seria melhor errar tentando uma bela jogada do que ficarmos presos à mediocridade. Por isso, fazíamos coisas incríveis.

Naturalmente, quando comecei a estudar sobre liderança, sempre tive o Luiz Carlos como uma referência. Por muito tempo procurei entender qual seria a sua técnica ou quais os conhecimentos que ele tinha que o tornavam tão diferenciados em sua capacidade de liderar.

Hoje, somos grandes amigos. Ele continua sendo para mim um grande mestre, uma grande referência. E eu, depois de muito tempo de convívio, acho que descobri o seu segredo…

O Luiz não usava uma técnica específica.

Apesar de sua formação em Filosofia, ele não tinha feito nenhum curso preparatório de líderes.

Tampouco, lia livros de autoajuda ou revistas com receitas sobre liderança.

Ele simplesmente tinha um propósito.

Educar era, e é, para ele, uma missão de vida.

Desenvolver líderes para tornar o mundo melhor sempre foi a razão de sua existência.

Por isso, ele apenas é ele mesmo e, assim, sendo quem é e agindo de acordo com seus valores e propósitos, lidera as pessoas para extraírem o melhor que têm dentro de si.

Ao Luiz Carlos, eu diria, mais uma vez: “Obrigado Mestre!”

E a você, eu pergunto: “Qual o propósito de sua liderança?”

Um forte e carinhoso abraço.