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Como acabar com um talento promissor

Por que algumas empresas desperdiçam o potencial e o talento de seus colaboradores?

Mariana ficou radiante ao ver o anúncio: “Empresa inovadora procura estagiários criativos, ousados e com iniciativa para atuar em projetos empreendedores na área de marketing’.

Aquilo era tudo que ela queria para sua vida profissional.

Ou melhor, quase tudo, afinal seu sonho era mesmo abrir sua própria agência. Mas, sabia que além da limitação financeira, precisaria adquirir experiência se quisesse vencer em um mercado tão competitivo.

Então, trabalhar para uma empresa que estimulasse a criatividade, onde ela pudesse desenvolver suas ideias e que ainda valorizasse a iniciativa das pessoas, era uma oportunidade imperdível nessa etapa de sua vida.

Assim, fez de tudo para conseguir a vaga e celebrou com muita alegria essa conquista.

Estava deslumbrada em seu primeiro dia de trabalho. Tão deslumbrada que nem chegou a reparar que alguns detalhes não pareciam de acordo com a chamada do anúncio.

Foi recebida pela assistente do RH que, depois de uma espera de quase uma hora, a levou para conhecer seu superior imediato, o João Carlos, assistente na área administrativa.

“Oi Mariana, apesar de você ser de marketing, vai trabalhar diretamente comigo, pois aqui na empresa o marketing está subordinado à administração, que se reporta a finanças, que, por sua vez se reporta à controladoria”, explicou ele sem muito entusiasmo.

“E, para hoje, preciso que você faça a impressão de alguns relatórios que a nossa gerente vai levar para a chefia”.

Fazer impressões, tirar cópias e outros serviços administrativos foi a rotina do primeiro mês da estagiária de marketing.

Quando a ‘ficha começou a cair’, Mariana, sempre muito proativa, foi falar com a Dona Eliane, líder de RH, para entender quando começaria a atuar nos projetos empreendedores para os quais tinha sido contratada.

“Oh, minha menina”, disse Dona Eliane carinhosamente. “A nossa empresa é o próprio projeto. É a nossa atitude, a nossa forma de lidar com os clientes, de buscar resultados, de encontrar soluções, e blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá. Por isso queremos aqui pessoas como você”.

E, com um discurso que não parecia ter qualquer conexão com aquilo que Mariana vinha desenvolvendo, Dona Eliane, tentava convencer a estagiária de que ter espaço na empresa era só uma questão de tempo.

Qualquer dúvida era só olhar para ela mesma, afinal entrara lá como estagiária e, depois de vinte anos, já se tornara líder de setor.

Apesar de não muito convencida, Mariana foi ficando. Um tanto desmotivada é bem verdade, mas presa à ilusão de um futuro mais promissor e à segurança do convênio médico a que tinha direito.

Assim, não demorou muito para que ela se moldasse à cultura da empresa. Sua energia e disposição a ajudaram a se tornar uma excelente cumpridora de tarefas, o que garantiu sua efetivação no cargo de assistente administrativa. Agora tinha direito também à cesta básica!

Com o tempo, a vontade de criar, inovar e fazer a diferença foi dando lugar ao medo de perder a estabilidade do emprego.

E foi assim que, alguns anos depois, recebeu Camila, a nova estagiária de marketing da empresa.

“Oi Camila, você vai trabalhar diretamente comigo. Fazemos parte da administração, que se reporta a finanças, que, por sua vez se reporta à controladoria e que, futuramente, vai implantar o setor de marketing independente para desenvolver novos projetos. Por isso, precisamos de jovens com o seu perfil empreendedor”.

 

Eu já vi muitas Marianas perdidas pelas empresas.

Pessoas que foram atraídas por um discurso que nada tinha a ver com a cultura da empresa. Pessoas que um dia iniciaram suas carreiras com muitos sonhos e, depois de certo tempo, passaram a trabalhar apenas para manter a segurança de um emprego.

Por que?

Porque muitas vezes os gestores não sabem exatamente o que esperam de seus colaboradores.

O resultado disso?

Empresas que engessam seus talentos e desperdiçam o potencial criativo de seus funcionários.

E pessoas frustradas, que deixaram para trás seus sonhos, seu potencial criativo e a sua vontade de fazer a diferença.

E você, reconhece alguma “Mariana” dentro da sua empresa?

Um forte e carinhoso abraço.

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