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Um mundo melhor para nossos filhos ou filhos melhores para o nosso mundo?

Em maior ou menor escala, qualquer pessoa sensata concordaria com a frase: “precisamos deixar um mundo melhor para os nossos filhos”.
Frase forte, impactante e absolutamente pertinente visto que a pouca atenção dada à sustentabilidade tem comprometido seriamente as nossas relações com o meio ambiente.

É também uma frase de apelo emocional, que cria nas pessoas certo sentido de responsabilidade com a vida e com o futuro, afinal construir um mundo melhor para os nossos filhos é também construí-lo para uma parte, talvez a melhor, de nós mesmos.
Mas, eu acho que está faltando algo a essa idéia. Falta a contrapartida dessa frase…

Fico então me perguntando o que vem primeiro: Deixar um mundo melhor para os nossos filhos ou deixar filhos melhores para o nosso mundo?
Acredito que as duas coisas são absolutamente integradas e complementares, mas, enquanto a primeira, felizmente, vem ganhando força, a segunda parte, muitas vezes, tem sido deixada de lado.
Talvez por ser mais complexa e bem mais difícil do que a primeira.

Criar um hábito de separar o lixo para a reciclagem é bem mais simples do que trabalhar valores.
Estabelecer rotinas para reduzir o consumo de água e luz em casa é bem mais fácil do que impor limite aos filhos.

Por quê?

Porque o grau de compromisso é bem diferente nos dois casos.Acredito que para deixarmos um mundo melhor precisamos adotar algumas ações, enquanto para deixarmos filhos melhores precisamos adotar outras atitudes. E, muitas vezes precisamos lidar com escolhas e mudanças. E isso, certamente, é bem mais difícil.

Nossa própria percepção de certo e errado, ou melhor, de mais ou menos errado, também parece estar sendo afetada.
Por exemplo, sentimo-nos indignados ao ver alguém arremessando uma latinha pela janela do ônibus, mas, se não estivermos atentos, podemos não dar maior atenção a um jovem que não cede seu assento para um idoso.

No último final de semana levei meu filho a uma festa em um buffet infantil. Fiquei observando como as crianças atropelavam a quem estivesse à frente de sua passagem. Não se davam nem ao trabalho de falar “um sai da frente”. Pedir licença? Nem pensar.
E aquilo era uma situação completamente normal. Alguns achavam até bonitinho ver o “entusiasmo” dos filhos.

Entendo que é difícil…
Afinal, são tantas preocupações: contas a pagar, conflitos na empresa, problemas de relacionamento, crise econômica, etc.
E ainda, educar filhos.
Esses seres sem manual de instrução ou controle remoto, com altíssimo custo operacional e ainda com vontades próprias que, na maioria das vezes, não coincidem com as nossas.

Na verdade, eu não entendo que seja difícil. Que me desculpem a sinceridade os pais relapsos, temerosos, ocupados, descomprometidos, assustados, desinformados, etc., mas não acho que a questão seja a dificuldade em educar os filhos e sim a falta de compromisso com a própria escolha de tê-los.

Escolher ter filhos é escolher assumir uma grande responsabilidade. Muito maior do que o atendimento a um cliente, a entrega de uma mercadoria ou uma viagem de negócios.

Isso é tão óbvio quanto à frase: “precisamos deixar um mundo melhor para os nossos filhos”. Mas, na prática, o que vemos acontecer é algo diferente: “Vou pagar uma boa escola na expectativa de que ela prepare uma pessoa melhor para o mundo enquanto eu cuido da minha carreira para poder pagar essa escola”.

Na verdade, delega-se essa responsabilidade e, muitas vezes, sem fazer o devido acompanhamento dos resultados. Pior, acredita-se que é possível delegar aquilo que é indelegável.

Deixar um mundo melhor para os filhos caminha lado a lado com deixar filhos melhores para o mundo. E, para isso, só existe um jeito: Assumir essa responsabilidade como uma prioridade.

Se o investimento vale? Não sei! Afinal, escolher envolve perdas e ganhos.
Mas uma coisa eu sei: É essencial ter clareza e consciência da escolha que se está fazendo.

Ser uma pessoa melhor para deixar filhos melhores para o mundo, eis aí um bom desafio…

Um grande abraço.